Concorrência deve começar apenas em 2027, com a conclusão do acesso brasileiro
Por Fernanda Palheta e Kamila Alcântara, enviado especial para Porto Murtinho | 23/07/2026 09:13

A união entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, consolidada pelo “beijo das aduelas” da Ponte Bioceânica, não é vista como uma ameaça para quem sempre garantiu a conexão entre o Brasil e o Paraguai por meio das águas. Mesmo com o novo caminho se estruturando ao lado, as duas balsas na operação seguirão como uma alternativa rápida, apostando na burocracia que terá de enfrentar quem seguir pela ponte.
As balsas que conectam Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai, devem continuar operando mesmo após a conclusão da Ponte Bioceânica, prevista para o segundo semestre de 2025. O coordenador das viagens, Carlos Araújo, acredita que uma travessia de 15 minutos será vantajosa diante das filas e da fiscalização aduaneira na nova ponte. O Corredor Bioceânico, com mais de 3,2 mil quilômetros, só funcionará em 2027.
Essa é a expectativa do coordenador das viagens das balsas, Carlos Araújo, de 62 anos. “Pode até perder um pouco do movimento, mas não tanto. Porque muitas pessoas não vão querer esperar, vai ter muitos carros para passar, aí muitos vão estar com pressa e vão vir aqui”, disse ao Notícias Campo Grande na manhã desta quinta-feira (23).
Ainda não está claro como será o trâmite de quem busca uma alternativa nas balsas. Mas o coordenador confia a travessia de cerca de 15 minutos vai continuar compensando
Segundo ele, nos dias movimentados cerca de 10 carros usam a balsa para cruzar o rio. Ontem, por exemplo, ele contabilizou 15 viagens. O movimento se deu pela cerimônia que oficializaria o “beijo” da Ponte Bioceânica, cancelado de última hora devido às condições climáticas adversárias na região.
Além da perspectiva de filas pelo aumento do trânsito, Carlos acredita que a trajetória pela Rota Bioceânica também deve ser mais lenta por causa da fiscalização, já que o projeto do Corredor prevê a implantação de um Centro Aduaneiro Integrado entre Brasil e Paraguai, nos moldes existentes na fronteira entre São Borja, Rio Grande do Sul, e Santo Tomé, na Argentina.
Porém, a concorrência ainda deve demorar para chegar. Além da conclusão da Ponte, prevista para o segundo semestre deste ano, o Corredor funcionará plenamente com a conclusão dos acessos paraguaios e brasileiros, que deverão ser entregues apenas em 2027.
O ponto ainda indefinido é como será feito o controle na própria ponte. Não está claro se Brasil e Paraguai terão postos separados, se haverá fiscalização conjunta ou se parte dos procedimentos serão técnicos em um único complexo de fronteira.
Sem essa organização, a Ponte Bioceânica pode resolver o obstáculo físico da travessia, mas criar um novo gargalo nos acessos.
Na prática, como vai funcionar o controle?
Na ponte, o controle costuma ocorrer em postos instalados antes ou depois da travessia. Em alguns locais, cada país mantém sua própria estrutura. Em outros, há uma área integrada, onde os agentes dos dois países trabalham no mesmo complexo.
Na balsa, a fiscalização acontece nos terminais de embarque ou desembarque. Passageiros, veículos e cargas podem passar por controle migratório e aduaneiro antes de entrar no embarque ou logo depois de chegar ao outro país.
São controles diferentes:
- Migração verifica documentos das pessoas, entrada e permanência no país.
- Aduana controla mercadorias, bagagens, veículos, dinheiro e cargas.
- Fiscalização sanitária e agropecuária verifica alimentos, animais, plantas e produtos sujeitos a restrições.
Corredor – A construção da Ponte Bioceânica é uma das obras fundamentais para viabilizar o Corredor Bioceânico, também chamado de Rota de Integração Latino-Americana (RILA) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio.
A rota terá mais de 3,2 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Porto Murtinho será uma porta de entrada da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é transformar o corredor em uma grande via de escoamento de produtos e circulação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos, com potencial de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte em relação às rotas marítimas tradicionais, como a do Canal do Panamá.
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