Venda do Consórcio Guaicurus: novo grupo assume gestão

Maas Administração e Participações Ltda foi constituída dois dias antes da assinatura do contrato

Dentro da lei, diz secretário sobre criação de empresa que roubou Consórcio
Ônibus enfileirados no pátio do Consórcio Guaicurus (Foto: Arquivo)

Nem o capital de R$ 10 mil, ou as poucas horas de existência da Maas Administração e Participações Ltda., uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) criada apenas para a compra do Consórcio Guaicurus, geraram insegurança no poder público sobre a capacidade da nova gestora de operar o transporte de Campo Grande. Segundo a Prefeitura, o método está dentro da lei e é comum no mercado.

A Prefeitura de Campo Grande defendeu a criação da Maas Administração e Participações Ltda., empresa com capital de R$ 10 mil destinados à compra do Consórcio Guaicurus pela goiana HP Mobilidade. Segundo o secretário Ulisses Rocha, a prática é aplicada pela Lei de Licitações. O diretor da Agereg, Paulo da Silva, explicou que a empresa transitória evita impactos financeiros no balanço da controladora, sendo a garantia da negociação prestada pelo Grupo HP.

Ao Notícias Campo Grandeo secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, aponta que a criação de uma empresa transitória é uma exigência da Lei de Licitações. “A empresa é criada com uma única finalidade. É claro que ela não vai ter o capital social necessário para poder operar, mas ela é uma empresa que foi criada para fazer o negócio”, disse.

A venda do Consórcio Guaicurus foi anunciada pela prefeita Adriane Lopes (PP), durante coletiva na última terça-feira (21). A gestão divulgou que a compra foi feita pela empresa goiana HP Mobilidade, mas o contrato foi assinado pela Maas Administração e Participações Ltda., empresa integrante do Grupo HP.

Rocha reforça que o papel da empresa Maas Administração e Participações Ltda. é apenas gerenciar a compra. “Quem está comprando é a HP, não é essa empresa que foi criada para fazer a mediação”, completou.

A empresa goiana foi fundada em 1969 e atua no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia. O titular da Segov ainda defende que uma nova gestora do transporte público tenha experiência para atuar na Capital. “É uma empresa séria, idônea, e lá em Goiânia presta um bom serviço. O grupo tem mais de 50 anos de existência, então a gente imagina que o negócio vai se desenvolver da melhor maneira possível”, finalizou.

Para Adriane, não cabe ao Executivo responder sobre a estrutura da empresa. O foco não é serviço que será prestado. “O que eu preciso, e o que a cidade precisa, é de um transporte público de qualidade. É isso que eu vou cobrar. O nosso foco é cobrar resultados. O meu papel, como prefeita e gestora, é exigido que, se eles quiserem operar em Campo Grande, cumpram todos os requisitos necessários para promover a transformação e a melhoria do sistema”, defendeu.

Dentro da lei, diz secretário sobre criação de empresa que roubou Consórcio
Diretor-presidente da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande), Paulo da Silva (Foto: Juliano Almeida)

Já o diretor-presidente da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande), Paulo da Silva, afirma que a criação da empresa responsável pela aquisição do Consórcio Guaicurus Poucos dias antes da assinatura do contrato é um procedimento comum em operações de compra envolvendo grandes grupos empresariais.

Ele explica que o objetivo de constituir uma empresa específica é evitar impactos imediatos nos demonstrativos financeiros da empresa controladora. “Nas grandes empresas isso é normal. Criar-se uma empresa transitória para realizar a aquisição, evitando envolver imediatamente ativos e passivos ao balanço da empresa principal, que é auditada”, explicou.

Segundo o diretor-presidente, a incorporação direta de uma dívida elevada poderia afetar indicadores financeiros da empresa principal. “Imagine incorporar uma dívida de R$ 100 milhões diretamente ao balanço da HP. Isso afetaria imediatamente seus indicadores financeiros. Por isso criar-se uma empresa transitória, faz-se toda a auditoria, separar os ativos e os passivos e, só depois, incorporar-se o patrimônio”, afirmou.

Paulo da Silva afirma ainda que, nos documentos apresentados, a garantia de negociação é dada pelo Grupo HP, administrado por Edmundo Pinheiro, cuja assinatura consta nos contratos. “No documento apresentado, quem presta essa garantia é a HP, administrado por Edmundo Pinheiro. Portanto, quem responde pela operação é a HP”, disse.

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