Amigos e ex-alunos lembraram Marcos pelo riso, disposição em ajuda e legado deixado na pesquisa
Familiares, amigos, professores e ex-alunos lotaram o Cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande, na sexta-feira (24), para o velório do médico veterinário Marcos Barbosa Ferreira, 54 anos, e de sua mãe, Maria Helena Barbosa Ferreira, 82 anos, mortos após o veículo em que estavam capotar na MS-080, em Rio Negro. Conhecido como “Marcão”, o professor era referência em Farmacologia e Toxicologia Veterinária pela UFMS e USP.
Familiares, amigos, professores e ex-alunos se reuniram nesta sexta-feira (24), no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande, para a despedida do médico veterinário Marcos Barbosa Ferreira, de 54 anos, e da mãe dele, Maria Helena Barbosa Ferreira, de 82 anos. Os dois morreram após o veículo em que estava capotar na MS-080, em Rio Negro.
O movimento intenso dava a dimensão da trajetória construída pelo professor. A capela ficou lotada durante o velório, com pessoas aguardando do lado de fora para entrar. Cadeiras adicionais foram colocadas na lateral do espaço, enquanto o estacionamento do cemitério ficou lotado. Somente na área externa, havia pelo menos 21 coroas de flores, além de outras colocadas próximo ao caixão.
Entre os presentes estavam pessoas de diferentes idades e de vários períodos da vida de Marcos. Amigos de infância, colegas de profissão, professores, ex-alunos e integrantes de projetos desenvolvidos no Pantanal compartilharam lembranças enquanto se despediam. Alguns chegavam em silêncio, outros bastante emocionados.
Amigo de Marcos há cerca de 40 anos, o veterinário Heitor Romero, de 56 anos, definindo o professor como uma pessoa alegre, prestativa e sempre pronta para ajudar. Os dois cresceram no mesmo bairro, participaram juntos do movimento escoteiro, cursaram a mesma faculdade e manteve uma amizade ao longo das décadas. Marcos também foi padrinho de casamento de Heitor.
“Era alguém alegre, prestativo, sempre pronto para ajudar, muito disposto e de riso largo. Acho que outras pessoas vão falar coisas muito parecidas”, afirmou.
Segundo Heitor, Marcos circulou por diferentes grupos sem abandonar o jeito espontâneo e carismático. Além da medicina veterinária e da pesquisa, você participou de atividades relacionadas às artes marciais, à fabricação de cerveja e às expedições pelo Pantanal.
“Aonde ele ia, tinha o mesmo jeito e o mesmo carisma. Ele não era uma pessoa que se apresentava de uma forma para cada grupo. Era muito autêntico”, lembrou.
O veterinário Márcio Paniago, de 35 anos, foi aluno de Marcos e continuou recorrendo ao antigo professor mesmo depois da graduação. A última conversa entre os dois ocorreu no dia 3 deste mês, quando Márcio pediu orientações sobre casos registrados em propriedades rurais atendidas por ele.
“Depois da faculdadeele sempre auxiliava. Quando eu tinha alguma dúvida, mandava mensagem. Era uma pessoa excelente”, conto.
Para Márcio, o professor deixou como legado a cobrança constante pela formação de profissionais mais preparados. A morte também provocou reflexão entre veterinários que fazem parte da rotina de transporte pelas estradas do Estado.
“Era um cara que pegava no pé de todo o mundo para ser um profissional melhor a cada dia. Para quem viaja bastante e pega muita estrada, é um momento de pensar melhor no dia a dia”, disse.
Marcos era conhecido como “Marcão” e “Doutor Carneiro”. Formado em Medicina Veterinária pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em 1996, concluiu mestrado e doutorado em Toxicologia pela USP (Universidade de São Paulo). Foi professor da Uniderp e integrou o corpo docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Biociência Animal da UNIC (Universidade de Cuiabá).
Ao longo da carreira, tornou-se referência em Farmacologia e Toxicologia Veterinária, com pesquisas sobre plantas tóxicas, contaminantes ambientais, desenvolvimento animal e manejo de ovinos. Também coordenou projetos voltados à valorização do Grupo Genético Pantaneiro e ao apoio à agricultura familiar.
Marcos e Maria Helena morreram na tarde de quarta-feira (22), no km 124 da MS-080. Conforme as informações iniciais, o veículo conduzido pelo veterinário derrapou, capotou várias vezes, saiu da pista e parou dentro de uma propriedade rural. As circunstâncias do acidente ainda serão esclarecidas pela perícia.
A família preferiu não conceder entrevista durante o velório. Entre abraços, lágrimas e reencontros, coube aos amigos e antigos alunos resumir a lembrança deixada pelo professor: um homem autêntico, de riso largo e disponível para ajudar, independentemente da hora ou do grupo em que estivemos.




