A defesa de José Cláudio Arantes, conhecido como “Tio Arantes”, contestou as informações que o apresentou como o tio de Ítalo de Moraes, de 27 anos, recapturado após ser retirado do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande.
A defesa de José Cláudio Arantes, o “Tio Arantes”, negou que ele seja tio de Ítalo de Moraes, recapturado após fuga da Gameleira, em Campo Grande. Segundo investigação do Garras, Ítalo era casado com uma sobrinha de Arantes. Afirma defesa de que ele foi absolvido por falta de provas. Considerado fundador do PCC no estado, Arantes fugiu da Gameleira em 2021 e foi recapturado na Bolívia em 2023. Em outubro de 2025, a Justiça prorrogou sua permanência na penitenciária federal de segurança máxima por mais 24 meses.
Em nota assinada pelo advogado Wellington Thiago Sippel da Silva, a defesa afirma que José Cláudio não tem relação com Ítalo e também rejeita associações dele com explosões de caixas eletrônicas, associação criminosa e liderança de organização criminosa.
A informação de que Ítalo seria sobrinho de “Tio Arantes”, no entanto, teve como origem uma investigação do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), realizada após o furto de R$ 118 mil de caixas eletrônicas de uma agência do Banco do Brasil instalada no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em setembro de 2017.
Segundo os dados da investigação policial à época, Ítalo seria casado com uma sobrinha de José Cláudio e, por isso, foi considerado membro da família e tratado como sobrinho de “Tio Arantes”.
Um ano após o furto, Ítalo, então com 19 anos, foi preso na região norte de Campo Grande. Na ocasião, o Garras também apontou José Cláudio como líder do grupo investigado pelo crime contra as caixas eletrônicas.
Afirma defesa de que Tio Arantes foi posteriormente absolvido no processo por falta de provas. “José Cláudio Arantes não possui relação de parentesco divulgado nas matérias, não podendo ser associado aos fatos mencionados às pessoas mencionadas nas reportagens”, diz trecho da defesa.
A contestação foi apresentada depois de reportagens sobre a recaptura de Ítalo, encontradas em uma casa de festas no Jardim Colúmbia, na manhã de quarta-feira (22). Ele havia sido retirado da Gameleira dois dias antes, durante uma ação que resultou na fuga de detenções.
Quem é Tio Arantes?
O nome de José Cláudio Arantes, o “Tio Arantes”, voltou aos corredores da segurança pública de Mato Grosso do Sul nesta semana. A recente fuga e recaptura de Ítalo de Moraes, no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, reacendeu o interesse sobre a biografia daquela que é considerada um dos fundadores e principais lideranças históricas do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. Com uma ficha criminosa que atravessa décadas, de assalto a assassinato, Arantes também tem no histórico uma fuga da Gameleira.
A notoriedade de Tio Arantes no topo da liderança do crime organizado consolidada em maio de 2006. Em meio a uma onda de ataques coordenados pela facção em todo o país, Arantes liderou o motim mais violento da história do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima de Campo Grande.
Em novembro de 2021, mesmo sob forte vigilância, o crime aproveitou as falhas do regime semiaberto para escalar a cerca do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira e desaparecer. A fuga mobilizou forças de segurança estaduais e federais em uma caçada que durou quase dois anos.
O paradeiro de Arantes só foi descoberto em setembro de 2023, na Bolívia. Monitorado pela Interpol, ele foi surpreendido por policiais bolivianos na cidade de Santa Cruz de la Sierra e imediatamente extraditado de volta ao Brasil.
Cientes do risco de mantê-lo em solo sul-mato-grossense, as autoridades transferiram Tio Arantes para o Sistema Penitenciário Federal. Após uma passagem pela unidade de Campo Grande, ele foi realocado para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima em Brasília.
Em outubro de 2025, o Poder Judiciário prorrogou sua permanência no regime de segurança máxima por mais 24 meses. Os relatórios de inteligência foram taxativos: o retorno de José Cláudio Arantes ao sistema penitenciário estadual “representa uma ameaça direta à ordem pública, devido ao seu poder de comando e à sua capacidade de desestabilizar as unidades prisionais de Mato Grosso do Sul”.

