Capacitação reúne mais de 60 integrantes da Armada e prepara atuação conjunta na fronteira antes da estimativa

Mais de 60 militares da Armada Boliviana participaram, nesta quinta-feira (23), em Corumbá, de um treinamento para fortalecer a atuação conjunta com equipes brasileiras no combate a incêndios florestais no Pantanal e na região do Chaco. A palestra reuniu oficiais e sargentos que atuam em operações de campo e antecedem o período de maior risco de queimadas na faixa de fronteira entre os dois países.
Mais de 60 militares da Armada Boliviana participaram nesta quinta-feira, em Corumbá, de treinamento para fortalecer a atuação conjunta com equipes brasileiras no combate a incêndios no Pantanal e no Chaco. A tecnologia, conduzida pelo Instituto Homem Pantaneiro, abordou monitoramento com inteligência artificial e resgate de animais. A iniciativa ocorre diante do alerta do Cemaden sobre maior risco de incêndio entre agosto e outubro.
Ao longo de 16 horas, os participantes receberam instruções sobre monitoramento precoce de focos de incêndio com uso de inteligência artificial, protocolos de emergência e técnicas básicas de resgate de animais silvestres atingidos pelo fogo. A formação foi conduzida por técnicos do IHP (Instituto Homem Pantaneiro).
Segundo o instituto, esta foi a segunda etapa do intercâmbio. Os oficiais participaram da primeira capacitação em maio, enquanto o treinamento dos sargentos ocorreu nesta quinta-feira.
Além das atividades práticas, militares bolivianos e profissionais brasileiros trocaram experiências sobre métodos de prevenção e combate a incêndios florestais. As equipes da Armada também cumprem agenda de intercâmbio com o Prevfogo, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), e com o 3º Grupamento de Bombeiros Militar, ambos em Corumbá.
O diretor do Centro de Formação de Bombeiros Florestais da Armada Boliviana, capitão de fragata José Martin Torrico Bravo, afirmou que o objetivo é ampliar a preparação dos militares para atuar em situações de emergência e fortalecer a cooperação entre os dois países.
“Há uma importância fundamental nessa troca de conhecimento e aperfeiçoamento dos militares da Armada Boliviana que estão realizando a formação de bombeiros florestais. Nossa intenção é que eles estejam muito bem preparados para atuarem em situações de emergência, e atentos para poderem atuar em conjunto com instituições brasileiras, caso seja necessário”, afirmou.
O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, destacou que incêndios florestais ocorreram resposta integrada entre Brasil e Bolívia para atingir uma área de fronteira compartilhada.
“O fogo não autoriza limites territoriais ou linhas de fronteira. Uma resposta aos desastres ambientais no Pantanal exige união de esforços, tecnologia compartilhada e capacitação continuada para que as equipes dos dois países atuem em sincronia na proteção da biodiversidade e das comunidades”, disse.
A capacitação ocorre em um momento de atenção para o Pantanal. Nota técnica do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) aponta que o trimestre entre agosto e outubro deve concentrar maior risco de calor intenso, baixa umidade e incêndios na região central do País, cenário associado à possibilidade de atuação do El Niño.
Segundo o órgão, as projeções indicam condições semelhantes às registradas em 2023 e 2024, quando a combinação de seca e temperaturas elevadas favorecem incêndios de grandes ocorrências no Pantanal e na Amazônia.