Bebê com pé torto aguarda tratamento após parto polêmico no MS

A dona de casa Maria Eloisa Ramos Lemes, de 19 anos, vive uma corrida contra o tempo para garantir o tratamento da filha de dois meses, eficiente com pé torto equinovaro congênito. Sem conseguir atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em tempo Considerada adequada, ela tenta levantar cerca de R$ 100 mil para custear o tratamento na rede particular. Paralelamente, denuncia ter sido vítima de violência obstétrica e possível erro médico durante o parto realizado na Santa Casa de Campo Grande. O hospital informou à reportagem que vai apurar o caso.

Uma mãe de 19 anos busca recursos para tratar uma filha de dois meses com pé torto congênito, após denunciar violência obstétrica e possível erro médico na Santa Casa de Campo Grande. Sem atendimento pelo SUS, ela tenta arrecadar R$ 100 mil para o tratamento específico, que precisa ser iniciado em até três meses para evitar sequelas permanentes. O hospital informou que vai apurar o caso.

Maria Eloisa afirma que deu entrada na Santa Casa no início de maio, com 33 semanas de gestação e gravidez de alto risco, após apresentar suspeitas de rompimento da bolsa. Segundo ela, mesmo após informar a situação, foi orientado a aguardar atendimento até o dia seguinte. “Expliquei que era uma gravidez de risco e que a bolsa poderia ter rompido. Mesmo assim, queria que eu passasse a noite sentado aguardando para saber qual procedimento seria adotado”, relata.

Sem conseguir atendimento, ela procurou a Maternidade Cândido Mariano. Na unidade, recebia assistência, mas foi informada de que o local não possuía UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal para um parto prematuro. Por isso, foi encaminhada de ambulância novamente para a Santa Casa.

A jovem afirma que, ao retornar, a bolsa rompeu definitivamente, mas o parto só foi realizado quatro dias depois. “Minha filha teve sofrimento fetal, nasceu prematura, contraiu uma pequena infecção e complicações 15 dias internada na UTI. Disseram que ela desenvolveu o pé torto porque ficou comprometida dentro da barriga, com líquido, depois que a bolsa estourou”, afirma.

Segundo Maria Eloisa, durante todo o pré-natal não houve qualquer indicação de pé torto congênito. Ela afirma que os exames de ultrassonografia, incluindo a morfológica 4D, apontaram desenvolvimento normal do bebê.

Correda contra o tempo – Segundo Maria Eloisa, os médicos explicam que o tratamento precisa ser iniciado o quanto antes para aumentar as chances de correção da deformidade. Sem conseguir atendimento pelo SUSela busca recursos para cuidar do tratamento específico. “Existe tratamento na rede pública, mas demora muito. Eu não posso esperar. Os médicos disseram que tenho cerca de três meses para começar o tratamento. Se isso não acontecer, o pé pode atrofiar e ela ficar com sequelas permanentes”, afirma.

Ela conta que a filha já está cadastrada na fila de espera, mas ainda não foi chamada. Também afirma que o bebê recebeu alta sem iniciar o tratamento ortopédico. “Eles deveriam ter colocado a botinha antes de ela sair do hospital. Isso não aconteceu. Esperando Estou pelo SUSmas não tenho retorno. Já preciso pagar R$ 900 em uma consulta particular e não tenho condições de arcar com todos os custos.”

Documento da Central de Regulação, obtido pela reportagem, registra que a recém-nascida, prematura de 34 semanas e três dias, foi entregue com pé torto equinovaro congênito à direita e encaminhada, em 18 de maio, para consulta em Ortopedia Pediátrica, com solicitação de avaliação “na data mais próxima possível” para início do tratamento.

O documento também informa que o bebê internado até 16 de maio após apresentar sepse neonatal, síndrome do desconforto e icterícia neonatal, condições descritas como resolvidas. O encaminhamento para atendimento em Ortopedia Pediátrica permanece com status de pendente de regulação.

Após demora no parto, mãe busca tratamento para corrigir pé torto da filha
Registro do bebê durante o período em que internadas na unidade hospitalar. (Foto: arquivo pessoal)

Fila – A busca por atendimento ocorre em meio à fila de crianças que aguardam tratamento especializado em Mato Grosso do Sul. Reportagem publicada pelo Notícias Campo Grande no último dia 2 mostrou que 287 crianças esperam por cirurgia de correção de pé torto congênito apenas em Campo Grande.

Na ocasião, o coordenador técnico da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), Leonardo Moreira Leal, explicou que o tratamento deve começar o mais cedo possível, inicialmente com gessos seriados e, quando necessário, cirurgia.

“Se uma criança não operar até os quatro anos de idade, o problema pode se tornar irreversível, porque a formação óssea já será completa e o pé não consegue mais retornar à posição correta. tempo adequada, a criança pode ter uma vida normal”, destacou.

Procurada pela reportagem, a Santa Casa informou que irá analisar o caso. O hospital também foi questionado sobre os protocolos adotados para gestantes de alto risco com ruptura prematura da bolsa e sobre eventual apuração interna do atendimento prestado ao paciente. Até a publicação desta reportagem, não foram mencionados esclarecimentos adicionais.

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