
O líder do assentamento Primeiro de Março, Roberto Mancuello, negou nesta sexta-feira (24) qualquer ligação da comunidade com grupos guerrilheiros e pediu que as autoridades paraguaias investigassem a região. A manifestação ocorre um dia depois do governo do Paraguai afirmar que moradores radicalizados de Canindeyú podem ter integrado o grupo responsável pelo ataque ao posto da Polícia Nacional na Colônia Naranjito, a cerca de 30 quilômetros de Sete Quedas, que matou dois policiais e um funcionário civil. Conforme o jornal paraguaio ABC Color, Mancuello afirmou que o assentamento é formado por famílias que vivem do trabalho no campo e descartou qualquer relação com organizações armadas. “A colônia está aberta. Estamos à disposição”, declarou ao convidar pesquisador para verificar a realidade da comunidade. Na quinta (23), o ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, atribuiu o atentado ao grupo terrorista EPP (Exército do Povo Paraguaio). A suspeita foi reforçada por perícia balística que acordos uma arma calibre 5,56 usada tanto no ataque desta semana quanto em outro atentado contra uma unidade policial ocorrido em maio de 2025, também no Departamento de Canindeyú. Já nesta sexta-feira, o ministro da Defesa Nacional, Óscar González, afirmou que as investigações também encontraram um estojo de munição calibre 7,62 ligado a uma arma utilizada, em 2020, por uma organização criminosa envolvida com o tráfico de maconha. Segundo ele, os acusados apontam para uma possível atuação conjunta entre guerrilheiros e narcotraficantes e sustentam a hipótese de que moradores radicalizados da região tenham se unidos ao grupo. Histórico – O ataque ocorreu na noite de terça (21), quando um grupo de aproximadamente 20 a 30 homens armados invadiu o posto da Polícia Nacional na Colônia Naranjito. Os criminosos abriram fogo contra a unidade, incendiaram o prédio e quatro veículos e fugiram pela mata. Morreram os policiais Herminio Ojeda González, de 33 anos, e Atilio Martínez Barrios, de 40, além do funcionário administrativo Josemar Escobar Piris, de 37 anos. Um quarto agente sobreviveu ao fingir que estava morto e escapou durante o incêndio. A autópsia divulgada na quarta (22) informou que os dois policiais foram rendidos e executados à queima-roupa. Um deles morreu com um tiro disparado dentro da boca, enquanto o outro foi atingido na cabeça após já estar ferido.
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Assentamento rebate suspeitas de ligação com guerrilheiros na fronteira