Gastos com segurança em 2025 é o maior da história: R$ 163,1 bilhões; Estado é o sexto maior em recursos

O secretário-Executivo da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), coronel Wagner Ferreira da Silva afirma que o aumento das mortes decorrentes de confrontos entre as forças de segurança de Mato Grosso do Sul e faccionados é resultado de uma escalada da violência provocada pelo crime organizado e não uma mudança na forma de atuação das forças de segurança.
Mato Grosso do Sul registrou aumento de 11,1% nas mortes por intervenção policial entre 2024 e 2025, chegando a 75 casos, e apenas no primeiro semestre de 2026 já foram contabilizadas 85 mortes. O secretário-executivo da Sejusp atribuiu o crescimento à incidência do crime organizado na fronteira. O Estado também registrou alta de 10,5% nos feminicídios e figura entre os cinco mais armados do país.
“A polícia age sempre na razão do que acontece, não como método de atuação”, disse o militar. Segundo ele, a redução da letalidade depende do aprimoramento do treinamento, dos equipamentos e da atuação policial, e não do estabelecimento de metas específicas pela estratégia de segurança.
O secretário-executivo diz que Mato Grosso do Sul vive um momento de “ofensiva do crime”, marcado por maior circulação de armamentos e disputa por áreas por território na fronteira com Paraguai e Bolívia, onde o controle do tráfico é disputado por duas facções mais agressivas, o PCC e o Comando Vermelho.
Na avaliação do coronel, por ser corredor obrigatório para rotas internacionais de tráfico, o Estado enfrenta uma pressão maior das organizações criminosas, o que aumenta os confrontos armados e, consequentemente, as mortes decorrentes de intervenção policial.
Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado na quarta-feira (23), Mato Grosso do Sul registrou a 10ª maior alta do país nas mortes decorrentes de intervenção policial, com aumento de 11,1% entre 2024 e 2025, de 67 para 75 casos, o que já sinalizava o recrudescimento da repressão ao crime.
Os dados de 2026 indicam evolução dessa tendência: apenas no primeiro semestre já foram contabilizadas 85 mortes, superando, em seis meses, todos os registros do ano passado. O levantamento aponta que, enquanto o Brasil continua diminuindo os homicídios em geral, a letalidade policial segue em alta, pressionada no Estado pelo avanço das facções na fronteira com Paraguai e Bolívia no comércio de produtos ilícitos, sobretudo a cocaína e armas, que movem a economia e a violência do crime.
Gastos
Há, no entanto, um paradoxo no sistema de segurança: desde uma série histórica iniciada em 2016, em nenhum outro momento o tripé União, Estados e Municípios gastaram tantos recursos em políticas públicas para o setor como em 2025. Foram, no total, R$ 163,1 bilhões, ampliando em 2,1% as despesas de 2024, que já aumentaram para R$ 159,8 bilhões. Com 12,8% a mais, Mato Grosso do Sul foi o sexto estado em volume. Acima estão Alagoas (21%), Roraima (20%), Espírito Santo (14,7%), Rondônia (14,3%), Paraíba (12,8%).
Enquanto o Brasil alcançou em 2025 a menor taxa de MVI (Mortes Violentas Intencionais) desde o início da série histórica do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), há duas décadas, Mato Grosso do Sul manteve uma tendência preocupante na violência contra a mulher. No ano passado, o Estado registou 39 feminicídios, quatro a mais que os 35 contabilizados em 2024, um crescimento de 10,5%.
Os homicídios de mulheres também aumentaram, passando de 63 para 70 vítimas. Metade das mulheres assassinadas no Estado morreu em contexto de feminicídio: a proporção passou de 55,6% para 55,7%, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Sempre em curva ascendente, os registros colocam Mato Grosso do Sul entre os estados mais armados do país, posicionado em 5º lugar no ranking nacional. O Estado registrou aumento de 3% entre 2024 e 2025 e de 240,2% desde 2017, início da série histórica demonstrada pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pela FBSP.
O crescimento acumulado praticamente se repete no país, que é de 240,3%. Em 2025 o SINARM (Sistema Nacional de Aras) da Polícia Federal registrou 40.889 armas no Estado.