Leonir Wiechert Barros, de 87 anos, chegou a Campo Grande em uma época em que quase não havia mulheres na advocacia e chegou a ser confundida até com homem. Formada no Rio de Janeiro (RJ), ela se mudou para a Capital em 1963, logo após se casar com um arquiteto corumbaense, e construiu carreira no direito cível por mais de 30 anos.
N / D faculdadeLeonir dividia a sala com cerca de 20 mulheres. Já nos tribunais de Mato Grosso do Sul, podemos contar nos dedos como colegas de profissão. Ainda assim, diz que nunca se sentiu intimidado.
“Dentro de uma faculdade Cheia de homens, advogados ou não, eu não consegui diferença nenhuma. Para mim, era normal. Só fui saber, quando cheguei aqui, que havia uma ou duas juízas”, relembra.
Mesmo em um ambiente predominantemente masculino, Leonir afirma que foi bem recebida e acompanhou o crescimento da presença feminina na área. “Depois encontraram várias mulheres, principalmente com a faculdade daqui, e começou uma movimentação maior dentro da advocacia”, conta.
Um episódio curioso marcou sua trajetória: a confusão provocada pelo próprio nome. Por ser considerado unissex, Leonir era frequentemente confundido com homem ao ser convocado para júris. “Pensei que eu fosse homem por causa do meu nome. Eu já trabalhei aqui há anos, mas acreditei que me enganaram e não confirmei certo”, explica.
A percepção veio apenas durante uma sessão. “Fiquei sabendo depois, conversando com outros advogados. Eles disseram: ‘Acharam que você fosse homem’. Eu respondi: ‘Não, sou mulher’, e ficou por isso mesmo”, relata.
Após três décadas na advocacia, Leonir se aposentou do direito e passou a se dedicar mais tempo à pintura, atividade que já faz parte de sua rotina. Além da advocacia, ela também se formou em artes plásticas e chegou a manter um ateliê. “Não foi algo que veio depois. Fiz as duas faculdades juntas. Sempre pintei, fiz exposições e tinha um ateliê separado do escritório”, diz.

Hoje, o espaço ainda reúne diversas obras finalizadas, além de um quadro inacabado. A baixa visão, consequência da idade, a impede de concluir a pintura. “Eu só não pintei arte moderna, disso eu não gostei. Fiz muitos animais, retratos e paisagens. Eu gostei muito de pintar”, afirma.
Leonir também se aventurou na literatura e escreveu oito livros. Entre eles, destacam-se “Mistério em Marrocos” e “Raptadas”, ambientados no Oriente Médio. “Eu sempre gostei de temas ligados ao Oriente, mistério. Quando consegui escrever esse livro, senti que tinha algo importante”, comenta.
Outros títulos incluem “Fronteira do Coração”, “Baile de Máscaras”, “Bianca” e “Feitiço da Lua”. Em “Magia do Pantanal“, a autora se representa na personagem Rebeca, que vive, ao lado do marido, um acidente de avião. Já em “Paulino Ruiz de Barros, um Pantaneiro Inesquecível”, conta a história do sogro.
Mãe de dois filhos, Leonir diz que gostaria de ver a tradição literária continuar na família. “Eu tenho dois ótimos filhos. Gostaria que um deles escrevesse, mas nenhuma batida por esse caminho”, finaliza.
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