Advogada crítica demora de 15 minutos no atendimento do 190

Advogada relata que acionou a polícia após ser informada da ameaça e cobra explicação da corporação

Pedido de ajuda ao 190 demora 15 minutos em caso de ameaça de morte
Cidadã liga para o 190 no aparelho celular. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Esperar cerca de 15 minutos para ser atendido pelo 190 durante uma situação de emergência levou a advogada Joyciane Maldonado a questionar a estrutura do serviço de atendimento da PM (Polícia Militar). O episódio relatado ao Notícias Campo Grande Aconteceu no último sábado (25), em Campo Grande, quando ela tentou pedir ajuda para um cliente que, segundo relato recebido pelo escritório, foi perseguido.

Advogada espera 15 minutos para ser atendida pelo 190 em Campo Grande ao tentar pedir socorro a um cliente que relata estar sendo perseguido. Joyciane Maldonado elogiou o atendente, mas criticou o sistema de emergência. Ela questiona se a demora é recorrente e defende o debate sobre investimentos no serviço. A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Para a reportagem, Joyciane afirma que recebeu uma mensagem do cliente informando uma ameaça. Em seguida, entrou em contato com a mãe dele, uma idosa de quase 90 anos, que já sabia da situação e estava desesperada. Sem conseguir outra forma de ação à polícia, designado para o 190. “Quinze minutos representam uma eternidade quando alguém acredita que uma vida pode estar por um fio”, afirmou.

Ela faz questão de separar a demora do atendimento prestado pelo servidor que recebeu a conexão. “Fui muito bem atendido quando finalmente a ligação foi completada. O profissional foi educado, ouviu atentamente, orientou corretamente e realizou o registro da ocorrência”, disse.

A crítica, segundo Joyciane, é direcionada ao funcionamento do serviço. “Minha reflexão não é dirigida ao servidor que atendeu a ligação. Ela se dirige ao sistema. Um sistema eficiente não se mede apenas pela qualidade do atendimento humano, mas também pela capacidade de responder no momento em que cada segundo faz diferença.”

A experiência levou a advogada a imaginar outras ocorrências em que o tempo de espera poderia comprometer o socorro. Ela cita casos de violência doméstica, assaltos, acidentes e outras situações em que a rapidez pode ser decisiva. “Quem busca sobreviver não pode esperar como quem aguarda uma conexão comercial”, afirmou.

Apesar da crítica, Joyciane diz não conhecer a realidade operacional do serviço. Ela afirma não saber quais conexões foram recebidas naquele momento, quantos atendentes estavam de plantão ou se havia limitações estruturais. Ainda assim, considere que a demora precisa ser discutida. “Questionar não significa desacreditar. Questionar é um exercício de cidadania.”

A advogada também afirma que o relato não tem o objetivo de desmerecer o trabalho da Polícia Militar, mas de provocar um debate sobre a capacidade de resposta do serviço de emergência. “Espero sinceramente que minha experiência tenha sido uma exceção. Mas, se não for, talvez seja hora de transformarmos indignação em debate, debate em prioridade e prioridade em investimento.”

O outro lado – Uma reportagem entrou em contato com a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) para saber se a corporação consegue identificar a ocorrência, o que motivou a demora no atendimento, qual era a demanda de chamadas no horário e qual é o tempo médio de espera do serviço. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

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