Mãe de menina com TEA nega agressões em áudio no Paraguai

Gravação atribuída à mulher que circula no Paraguai; A declaração não foi confirmada

Em áudio, mãe de autista agredida diz que padrasto era "figura de pai"
Ferimentos nos braços e peito da criança. (Foto: Direto das Ruas)

Em gravação que circula na imprensa paraguaia, a suposta mãe da menina brasileira de 6 anos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) agredida pelo padrasto afirma que o rapaz, preso desde a última semana, era visto pela criança como uma “figura de pai”. No áudio, divulgado nesta quinta-feira (23), a mulher também diz que não tenta ocasionar as agressões e alegações de que o episódio foi isolado.

A mãe de uma menina brasileira de 6 anos com autismo, agredida pelo padrasto no Paraguai, divulgou áudio negando negligência e afirmando que as agressões foram um episódio isolado. O padrasto, de 23 anos, está preso desde a semana passada. A mãe acusa familiares pais de mentiras e pressão, enquanto a Promotoria paraguaia investiga sua conduta. A guarda provisória foi concedida a um casal de pastores, decisão contestada pela família paterna e pela OAB-MS.

Na íntegra da mensagem, a mulher se apresenta como mãe da criança e em espanhol afirma que passou a ser apontada como “negligente” desde que o caso ganhou repercussão. Ela diz que não tenta justificar a continuação, nega que tenham ocorrido outras agressões dentro de casa e afirma que a família sempre foi unida.

“A sociedade está contra mim como se eu fosse uma mãe ruim nesta situação. O que aconteceu não tem justificativa, e também não estou defendendo o agressor, mas quero que a verdade seja dita. Isso nunca aconteceu em casa. Nunca houve qualquer tipo de agressão. Somos uma família muito unida, temos pessoas que nos conhecemos e somos uma família cristã.”

A suposta autora também acusa familiares pais de divulgar informações falsas, afirma que algumas pessoas foram pressionadas a prestar declarações e diz possuir provas para sustentar sua versão.

“A sociedade precisa saber a verdade porque essas pessoas foram longe demais ao me incriminar. Existem muitas mentiras e muitas coisas que mandam fazer sob pressão. Tenho provas para mostrar a verdade.”

Ela também defende a família do companheiro e afirma que os pais dele acolheram a ela e aos filhos. Em seguida, acusa familiares paternos de tentar obter vantagens financeiras relacionadas aos benefícios sociais e critica a divulgação das imagens da criança.

“Eles sempre acolheram muito bem a mim e aos meus filhos. Os pais da minha filha não dependem do governo e usam qualquer situação para tirar lucros. Não se importaram em expor a imagem de uma criança. Quero que a sociedade saiba a verdade.”

Ainda no áudio, a mulher afirma que toda a família do companheiro acolhia uma criança, diz que pretende apresentar documentos para comprovar suas declarações, aceitar passar por exame toxicológico e voltar a acusar a avó paterna de ameaças. Ela também sustenta que o pai biológico esteve ausente da criação da filha.

“Não falo apenas dele, porque toda a família dele considera minha filha como parte dela e nunca a tratou de forma inferior. Estou jurando diante de Deus ao dizer estas palavras. me atacam para que eu entregasse minha filha ao pai, uma pessoa que sempre esteve ausente.”

O caso – A menina foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero com hematomas nas costas, peito, pescoço, rosto, braços e nádegas. Conforme a investigação conduzida pelas autoridades paraguaias, a mãe havia saído para trabalhar e deixou a filha sob os cuidados do companheiro. O hospital comunicou o caso depois que a equipe médica teve lesões compatíveis com agressões.

O padrasto, de 23 anos, foi preso e encaminhado para a Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero. O médico legista Marcos Prieto informou que os ferimentos podem ter sido provocados com as mãos ou um pedaço de madeira.

Durante a apuração, a Promotoria do Paraguai também passou a investigar a conduta da mãe por suspeita de falha não dever de cuidado com a filha.

Na terça (21), o juiz paraguaio Edison Escobar concedeu uma guarda provisória da menina a um casal de pastores indicado pela mãe. Segundo a decisão, uma avaliação psicológica contém vínculo afetivo entre a criança e os responsáveis. O magistrado também proibiu a mãe de se aproximar da filha e autorizou visitas do pai biológico enquanto o processo segue em andamento.

A decisão foi proferida pela família paterna, pela OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul) e pelos representantes políticos, que defendem a concessão da guarda ao pai ou à avó paterna.

Também nesta quinta, a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Ponta Porã, Vanessa dos Santos, divulgou denúncia feita pela família paterna de que a mãe teria recebido R$ 8 mil da avó da criança sob a promessa de devolvê-la, mas não cumpriu o acordo.

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