Santa Casa suspende atendimentos por falta de insumos

Diretora diz que falta de insumos e atraso nos pagamentos podem provocar desligamento coletivo em 30 dias

Santa Casa suspende cirurgias eletivas e médicos ameaçam saída em massa
Fachada do prédio da Santa Casa em Campo Grande (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)

A Santa Casa de Campo Grande anunciou a suspensão dos atendimentos ambulatoriais e das cirurgias eletivas diante da falta de insumos, materiais cirúrgicos e do atraso no pagamento de médicos contratados como PJ (pessoa jurídica) e independentes. A diretora clínica do hospital, Izabela Falcão, afirmou que, se a situação não for resolvida nos próximos 30 dias, os profissionais deverão pedir o desligamento coletivo da instituição.

A Santa Casa de Campo Grande suspendeu atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas por falta de insumos e atraso no pagamento de médicos. A diretora clínica, Izabela Falcão, alertou que, sem solução em 30 dias, profissionais de diversas especialidades podem pedir desligamento coletivo. Urgências seguem mantidas. CRM-MS, Ministério Público e secretarias de Saúde já foram comunicados.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (29), por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais da Santa Casa. Segundo a médica, a decisão foi tomada após reunião com os chefes de serviço e busca garantir a segurança dos pacientes e condições de trabalho para as equipes.

“Como diretora clínica, é meu dever e minha responsabilidade ética e legal garantir a qualidade do atendimento e as condições de trabalho dos médicos”, afirmou.

Conforme Izabela, a escassez de insumos básicos, materiais e equipamentos cirúrgicos, somada ao atraso nos pagamentos, tornou-se inviável a manutenção integral dos serviços.

Com isso, fiquem suspensos os atendimentos ambulatoriais e as cirurgias eletivas. Os atendimentos de urgência e emergência seguem.

A diretora clínica também fez um alerta sobre a possibilidade de saída coletiva dos médicos caso não haja solução para o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato que mantém o hospital.

Segundo ela, o movimento envolve profissionais das especialidades de cirurgia geral, cirurgia geral pediátrica, cirurgia cardíaca, cirurgia cardíaca pediátrica, cirurgia vascular, cardiologia intervencionista, urologia, ortopedia, radiologia intervencionista, ultrassonografia e psiquiatria.

As equipes de hematologia, oncologia e transplante renal, no entanto, continuarão atendendo normalmente devido à complexidade dos pacientes assistidos.

Ainda de acordo com Izabela, o CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul), o Ministério Público e as secretarias Municipais e Estaduais de Saúde já recebeu comunicação oficial sobre a situação.

A médica afirmou esperar que as pendências sejam resolvidas ou quanto antes para evitar um colapso na assistência prestada pela principal unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul.

“Esperamos que essa situação se resolva o quanto antes para não haver um colapso assistencial”, concluiu.

Nas manifestações anteriores sobre crises semelhantes na Santa Casa, tanto a Prefeitura quanto o Governo do Estado afirmaram acompanhar a situação e manter diálogo permanente com a instituição para evitar prejuízos à assistência. A Sesau costuma destacar que o custeio do hospital é compartilhado entre União, Estado e Município, enquanto a SES sustenta que mantém os repasses estaduais em dia e que atua em conjunto com os demais entes na busca por uma solução para garantir a continuidade dos atendimentos.

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