Ao longo de quatro décadas, a escola de futsal proporcionou aprendizado aos alunos dentro e fora das quadras

Há 40 anos, uma pequena escolinha de futsal começou a construir uma história que atravessaria gerações em Mato Grosso do Sul. Criada pelo ex-jogador do Operário Futebol Clube, Júlio Cesar de Souza, o Pelezinho, a Escolinha Pelezinho nasceu em agosto de 1986 com apenas dois alunos e hoje reúne cerca de 700 crianças e adolescentes em sete unidades de Campo Grande.
A Escolinha Pelezinho, fundada em agosto de 1986 pelo ex-jogador Júlio Cesar de Souza em Campo Grande, completa 40 anos com cerca de 700 alunos em sete unidades. Criada com apenas dois alunos, a escola revelou atletas como Jean Moreira, bicampeão brasileiro pelo São Paulo, e o goleiro Marcelo Moretto. Para comemorar o aniversário, um baile será realizado neste sábado no Clube Estoril.
A ideia surgiu pouco depois de Pelezinho encerrar a carreira como jogador, em março de 1986. Na época, ele já dava aulas de futsal no Colégio Dom Bosco e recebeu o convite de um amigo para ocupar durante o dia uma quadra recém-inaugurada na Rua Arthur Jorge, o Ginásio Quadra Bar Júnior, que ficou sem atividades no período.
A quadra foi inaugurada no dia 1º de agosto daquele ano e, quatro dias depois, em 5 de agosto, Pelezinho iniciou as atividades com duas aulas. No começo, ele acumulava todos os cargos: era professor, secretário, funcionário e até responsável pela limpeza da quadra.
“Eu dava aula, era professor, era funcionário, era tudo, era secretário, limpava a quadra, fazia tudo que tinha que fazer”, conta Pelezinho.
O crescimento foi rápido. Ao fim do primeiro ano, a escolinha já tinha 27 alunos. No segundo, ultrapassou a marca de 100.
Atualmente, a Escolinha Pelezinho possui sete unidades, sendo cinco externas ao futsal e duas ao futebol de campo, com aproximadamente 700 alunos e 29 funcionários entre professores, secretários e auxiliares.
A sede principal fica na Arena Verde, estrutura que, segundo Pelezinho, reúne dois campos de futebol sociedade, duas quadras de areia e um ginásio. As atividades atendem crianças dos 4 aos 14 anos.
Formar cidadão – Apesar dos resultados esportivos e da revelação de atletas, Pelezinho afirma que nunca teve como objetivo principal formar jogadores profissionais. Para ele, o esporte é uma ferramenta de educação e desenvolvimento.
“Eu nunca visei formar atleta. Porque eu sou professor e sou um formador. Então, para mim, você tem que ter educaçãovocê tem que respeitar. O esporte é um meio que eu utilizo para educar essas crianças, ajudar na educação delas”, explica.
A filosofia também passa pela relação das crianças com vitórias e derrotas. Para Pelezinho, aprender a perder faz parte da formação para a vida.
“Quando perde é muito bom. Eles aprendem mais na derrota do que na vitória. Porque eles estão habituados a ganhar. Então, perder jogo, ter dificuldade, enfrentar as dificuldades, porque na vida ele vai encontrar dificuldade”, afirma.
O resultado dessa filosofia aparece também na segunda geração de alunos. Atualmente, filhos de antigos estudantes frequentam a escolinha, mantendo uma ligação entre diferentes gerações.
“Eu sempre cobro estudo. Eu cobro a formação dele. Eventualmente, se ele for um jogador, ele vai ser um jogador que vai ter noção das coisas, não vai se perder”, destaca.
Embora a formação de cidadãos seja uma prioridade, a Escolinha Pelezinho também ajudou a revelar jogadores que tiveram destaque no futebol profissional.
Um dos principais exemplos é Jean Raphael Moreira, que foi treinado por Pelezinho até os 14 anos. Após deixar o futsal e migrar para o futebol de campo, o atleta conquistou duas vezes o Campeonato Brasileiro pelo São Paulo e também defendeu o Fluminense.

Outro nome lembrado pelo fundador do goleiro Marcelo Moretto, natural de Eldorado (MS). O jogador ficou conhecido internacionalmente após o zagueiro um pênalti cobrado pelo brasileiro Ronaldinho Gaúcho em uma partida da Liga dos Campeões.
Ao ser entrevistado sobre o feito, Moretto fez questão de lembrar a passagem pela Escolinha Pelezinho, onde treinou no Grêmio Atlântico Sul, unidade externa ao futebol de campo.
Competições – A trajetória da escolinha também deu origem a uma das competições tradicionais das categorias de base de Mato Grosso do Sul. Criada alguns anos depois da escolaa Copa Pelezinho chega em 2026 à sua 34ª edição.
Tradicionalmente disputado aos sábados, o torneio reúne equipes de diferentes cidades e proporciona um formato que leva os jogos para o interior do Estado.
Ao longo dos 40 anos, a Escolinha Pelezinho também proporcionou experiências internacionais para seus alunos.
As equipes viajaram ao Japão em três oportunidades, nos anos de 1991, 1992 e 2007, para disputar competições. Em 1997, aproximadamente, os alunos também participaram de um torneio em Roma, na Itália.
Em 1999, foi uma vez da equipe feminina viajar para Buenos Aires, na Argentina. As meninas tiveram a oportunidade de jogar em dois dos estádios mais tradicionais do futebol Mundial: La Bombonera, do Boca Juniors, e o Monumental de Núñez, do River Plate.
Celebração – Para comemorar os 40 anos da Escolinha Pelezinho, um baile dançante com jantar será realizado neste sábado (1º), às 20h, no Clube Estoril, em Campo Grande.
A festa será marcada pelo encontro de gerações, reunindo ex-alunos, estudantes atuais, pais e pessoas que fizeram parte da história da escolinha ao longo das quatro décadas.

