Laudos descartaram drogas nas 260 toneladas apreendidas em MS e MT; apuração vai identificar quem fez a denúncia
A PF (Polícia Federal) abriu nova investigação para descobrir quem revelou a informação de que uma carga de madeira apreendida em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso estaria impregnada com cocaína. A purificação também buscou esclarecer como a denúncia foi produzida, por quais canais circulados e se havia algum interesse por trás da divulgação.
A Polícia Federal abriu investigação para identificar a origem da informação que levou à apreensão de 260 toneladas de madeira no Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso, sob suspeitas de conter cocaína líquida. Laudos periciais descartaram a presença da droga, e a PF agora apura se houve erro, manipulação ou interesse por trás da denúncia, que mobilizou órgãos brasileiros e estrangeiros e gerou prejuízos aos proprietários da carga.
A nova frente foi aberta depois que os exames oficiais descartaram a presença de cocaína e outras substâncias de interesse forense nas amostras retiradas da carga. O resultado mudou o boato de um caso que havia sido apresentado como uma possível apreensão de drogas no país.
A história começou em junho, quando oito caminhões carregados com madeira saíram da Bolívia em direção ao Brasil. Quatro veículos foram retidos em Corumbá e outros quatro em Cáceres (MT).
A fiscalização seguida pelas autoridades recebeu a informação de que a madeira poderia estar sendo usada para transportar cocaína em estado líquido. A suspeita era de que a droga teria sido aplicada ou absorvida pelo material e poderia ser extraída posteriormente por meio de processos químicos.
A operação envolve a participação de órgãos brasileiros e estrangeiros. A carga, composta por aproximadamente 260 toneladas de madeira, passou a ser tratada como uma das maiores preocupações relacionadas a esse tipo de método de tráfico.
Apesar da repercussão, os primeiros exames realizados pela PF não identificaram cocaína. Um cão farejador utilizado durante a fiscalização também não indicou a presença de entorpecentes.
Como a hipótese envolvia uma forma incomum de transporte, novas amostras foram colhidas e encaminhadas para análises mais recentes. Durante esse período, os caminhões foram retidos, enquanto os transportadores e proprietários da carga acumularam despesas com armazenamento e atrasos nas entregas.
Documentos produzidos pelas autoridades bolivianas também enfraqueceram a suspeita. Parte da carga havia sido vistoriada ainda na Bolívia, inclusive com o uso de cão farejador, sem que fossem encontrados pedidos de drogas. Exames laboratoriais realizados no país vizinho também obtiveram resultado negativo.
A madeira transportada era aroeira, espécie conhecida pela alta densidade e pela baixa capacidade de absorção. Essa característica já levantou dúvidas sobre a possibilidade de o material ter sido impregnado com cocaína líquida.
O laudo definitivo da PF confirmou que não havia cocaína nas amostras comprovadas. Os peritos utilizaram diferentes técnicas laboratoriais e não encontraram vestígios de entorpecentes nem de outras substâncias relevantes para a investigação.
Com a conclusão dos exames, o foco da PF deixou de ser a suposta droga e passou a ser a origem da informação que provocou a operação.
A investigação deverá apurar quem produziu ou transmitiu a denúncia, quais elementos foram apresentados para sustentar as suspeitas e por que a informação ganhou força antes da confirmação pericial.
Também será investigado se houve erro, manipulação ou algum interesse específico na divulgação da versão de que a carga continha cocaína.



