Fuga da Gameleira expõe falhas na segurança do presídio

Registro aponta policial que a escuridão externa e a ausência de monitoramento impediram a visualização

Falta de iluminação e vigilância em câmeras facilitado resgate na Gameleira
Local por onde entrou na invasão (Foto: Direto das Ruas)

O boletim de ocorrência registrado após a fuga de três detenções do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira revela falhas no monitoramento e na estrutura de segurança da unidade. O documento aponta que o policial responsável pela Central de Monitoramento admitiu que deveria estar acompanhando as câmeras no momento da evasão, mas não fazia isso, e registra que a deficiência na iluminação externa impediu a visualização do corte no alambrado por onde os presos deixaram o presídio.

Três detentos fugiram do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira na madrugada de 20 de julho. O boletim de ocorrência aponta falhas no monitoramento e na iluminação externa da unidade. O servidor da Central de Monitoramento não acompanhava as câmeras no momento da fuga. Alicates foram usados ​​para cortar cadeados e o alambrado. Dos fugitivos, apenas Ítalo de Moraes foi recapturado. Bruno Araújo e Thiago Costa seguem foragidos.

Segundo a comunicação interna anexada ao boletim, por volta das 4h50 um policial penal encontrado abriu a porta de acesso às celas disciplinares do Pavilhão C. Próximo ao local havia um alicate de grande porte e os cadeados da cela 3 foram cortados. Durante a conferência, foi constatada a ausência dos internos Bruno Araújo da Silva, Ítalo de Moraes e Thiago Pereira Costa. Em seguida, durante a ronda na área interna, outro alicate foi localizado ao lado de um corte na tela do alambrado de acesso à horta da unidade.

No mesmo documento, o policial responsável pela comunicação ressalta que “devido à maior iluminação externa, não foi possível visualizar o momento do corte da tela do alambrado”. Ele também registra que, “em virtude da falta de monitoramento no solário das celas disciplinares e no portão de acesso ao pavilhão disciplinar, não foi possível visualizar o momento do corte dos cadeados”.

Falta de iluminação e vigilância em câmeras facilitado resgate na Gameleira
Ferramentas apreendidas após uma invasão (Foto: Direto das Ruas)

O boletim traz ainda o depoimento do chefe da Central de Monitoramento da unidade à Polícia Civil. Conforme o registro, o servidor declarou que “deveria estar realizando o monitoramento das câmeras de segurança no momento dos fatos, contudo não o fazia”, ​​razão pela qual afirmou não ter condições de relatar a dinâmica da evasão. No mesmo trecho, consta que as imagens do sistema de monitoramento puderam ser requisitadas posteriormente pela polícia por meio de ofício encaminhado ao diretor do presídio.

Após a constatação da fuga, a Polícia Civil e a perícia não foram locais. Os peritos instalaram os cadeados danificados e os alicates de corte encontrados na unidade para análise.

A fuga ocorreu na madrugada de 20 de julho. Inicialmente, informações apontavam que um grupo armado teria invadido a unidade para retirar os três detentos. A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário negou oficialmente a invasão e informou que instaurou procedimento administrativo para apurar as situações de evasão.

Dos três presos que saíram da unidade, apenas Ítalo de Moraes foi recapturado, na manhã de quarta-feira (22), em uma casa de festas no Jardim Colúmbia. Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa continuam foragidos.

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