Moradora acusa suspeitas de novo envenenamento por chumbinho após perder primeiro animal em 2024
Moradora do bairro Carandá Bosque, em Campo Grande, encontrou sua segunda cadela morta por suspeita de envenenamento nesta quinta-feira. Cássia do Carmo afirma que o animal contém hemorragia, os mesmos sintomas da cadeia anterior, morta em maio. Ela acredita que o veneno foi lançado pelo muro do vizinho. O primeiro caso foi arquivado pelo MPMS por falta de provas. Cássia pretende registrar novo boletim na DECAT.
A rotina de tranquilidade no bairro Carandá Bosque deu lugar a um conflito de vizinhança que ganhou mais um capítulo trágico na manhã desta quinta-feira. A moradora Cássia do Carmo afirma ter encontrado sua segunda cadela morta por suspeita de envenenamento no quarto dos fundos de sua residência, localizada em Rua Peixe Vivo. Segundo a tutora, o novo episódio repete a mesma dinâmica da morte de seu primeiro animal, ocorrida em 30 de maio de 2025, e, em sua avaliação, reforça um cenário de perseguição que se arrasta há cerca de um ano.
Cássia relata que a cadela, chamada Melzinha, começou a recusar alimento na noite anterior e, pela manhã, foi encontrada sem vida no quarto dos fundos da residência, onde dormem todos os cães da família. De acordo com a moradora, o animal apresentou quadro severo de hemorragia, com os mesmos sintomas observados em sua outra cadela, Melinda.
“É um pesadelo que não acaba. Você acorda e encontra seu animal morto dentro da própria casa. O espaço onde eles ficam é isolado da rua e faz divisa direta apenas com o muro da vizinha. Pelas características do local e pelo que aconteceu da outra vez, continuando acreditando que o veneno tenha sido feito de lá”, afirma Cássia.
Histórico e lançamento pelo muro – Conforme a versão apresentada pelo tutor, toda a situação começou após a morte por suspeita de envenenamento de dois cães pertencentes a vizinhos. Cássia afirma que, na época, não foi registrado boletim de ocorrência por medo. Dias depois, porém, ele conseguiu imagens de câmeras de segurança que mostraram um objeto sendo arremessado de imóvel vizinho para dentro de sua residência. Segundo ela, após entregar as gravações às autoridades, passou a sofrer intimidações da pessoa que considera suspeitas, dando início ao conflito que, em sua avaliação, se estende até hoje.
Cássia detalha que o local onde os cães permanecem protegidos e não possui acesso para quem passa na rua, sendo ladeado, de um lado, por um terreno baldio fechado com portão e correntes, monitorado por câmeras de segurança e feito pelo mato alto, o que, segundo ela, praticamente impede o acesso de terceiros.
No primeiro caso envolvendo seu animal, registrado em 30 de maio de 2025, a moradora conta que câmeras de segurança chegaram a registrador a queda de um objeto esbranquiçado no quintal, vindo da direção do imóvel vizinho. Conforme os documentos da investigação, o exame necroscópico contendo hemorragia aguda em diversos órgãos e o exame toxicológico sugeriram a possível presença de bromadiolona, substância utilizada em raticidas.
Diante do novo caso nesta quinta-feira, Cássia optou por manter o corpo do animal preservado no mesmo local onde foi encontrado para possibilitar a realização de eventuais exames periciais pelas autoridades policiais.
Investigação e arquivamento – Ainda segundo os relatórios e documentos apresentados pela moradora, a Polícia Civil cumpriu diligências no primeiro episódio e chegou a apreender evidências de suspeitas na residência da vizinha citada por Cássia. No entanto, o inquérito policial foi encaminhado para arquivamento por ausência de provas suficientes para comprovar a autoria e a materialidade do crime.
Em março deste ano, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) determinou uma notificação das partes sobre a promoção do arquivamento. Na decisão, o órgão ressalvou que o surgimento de novas tentativas poderá exigir a retomada das investigações.
Para Cássia, a falta de uma responsabilização judicial no primeiro caso aberto brecha para a reprodução do ato.
“O sentimento é de total desamparo. A Justiça pediu o arquivamento porque não conseguiu identificar quem praticou o crime, e logo em seguida meu segundo animal aparece morto do mesmo jeito”, lamenta a tutora.
Novas exceções – Cássia informou que buscou novamente o apoio das autoridades policiais para registrar um novo boletim de ocorrência por maus-tratos a animais com resultado morte, a ser encaminhado para a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Consumidor (DECAT).
Procurada pela reportagem, a moradora apontada por Cássia negou qualquer envolvimento na morte dos animais. Em mensagem, afirmou que o caso já foi investigado e encerrado por falta de comprovação das acusações. Segundo ela, na época também havia registros de pombas mortas na região e, por isso, acredita que alguém poderia estar espalhando veneno sem direcionamento específico.
“Já foi investigado, foi encerrado porque não teve nenhuma comprovação dessa acusação dela. Na época estavam morrendo pombas aqui na região. Eu não sei quem está matando, não tenho ideia de quem está fazendo isso. Acredito que deve ter colocado [veneno]. Eu tenho cachorro, imagina. Voltaram as pombas, alguém está tentando matar pomba. Eu, com certeza, não fui”, afirmou.


