10 operações contra corrupção no MS em 2026: veja o balanço

Colaboração premiada foi na Tromper, que mostrou o caminho da propina em Sidrolândia

MP já tem 10 operações contra corrupção no ano, mas a última delação foi em 2024
Tiago Basso, ex-servidor do setor de Compras e Licitações de Sidrolândia, durante depoimento. (Foto: Reprodução)

Em 2026, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) já deflagrou dez operações contra corrupção, mas a última delação premiada, recurso bastante comum em ações pelo País fora, dados de 2024, na Tromper, palavra francesa que significa “enganar”.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou dez operações contra corrupção em 2026, mas a última delação premiada no estado data de 2024, na Operação Tromper, em Sidrolândia. O ex-servidor Tiago Basso e o advogado Milton Matheus firmaram acordos, revelando esquemas de fraudes em licitações. Os casos anteriores incluem operações em Amambai, em 2020, e Dourados, em 2019.

A primeira fase foi deflagrada em maio de 2023 por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e da 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia. A operação foi contra organização criminosa que atuava desde 2017 fraudando licitações públicas na cidade. Os delatores chegaram em 2023 e 2024

Primeiro, o ex-servidor municipal Tiago Basso mostrou como empresários operavam contratos e pagamentos relacionados ao grupo de Cláudio Jordão de Almeida Serra Filho (PSDB). Claudinho Serra foi secretário de Fazenda em Sidrolândia e vereador em Campo Grande.

MP já tem 10 operações contra corrupção no ano, mas a última delação foi em 2024
Advogado Milton Matheus Paiva Matos na porta da delegacia de Sidrolândia. (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Preso na 2ª fase, Basso autorizou ter recebido propina por fazer parte do esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Sidrolândia e devolveu R$ 80 mil. O delator também foi preso e denunciado pelo MPMS. Ele era funcionário do setor de compras e licitações.

Em 2024, o empresário e advogado Milton Matheus Paiva Matos também fez acordo de delação premiada na Tromper. Ele era proprietário da empresa 3M Produtos e Serviços e foi apontado como um dos responsáveis ​​por sacar propina que seria designada a Claudinho.

Em 2020, a Operação Laços Ocultos, que investigou fraudes em licitação e desvio de recursos públicos na Prefeitura de Amambai, teve a colaboração premiada de uma engenheira. Imagens extraídas do computador da delatora mostravam investigados ostentando maços de vultos quantias de dinheiro.

MP já tem 10 operações contra corrupção no ano, mas a última delação foi em 2024
Nas imagens da investigação Laços Ocultos, empresários aparecem ostentando maços de dinheiro. (Foto: Reprodução)

No ano de 2019, o empresário fez acordo de delação premiada na segunda fase da Operação Purificação, realizada em parceria entre o MPMS e a PF (Polícia Federal). O alvo era o desvio do dinheiro público em Dourados, segunda cidade mais populosa de Mato Grosso do Sul.

Ele sacava dinheiro em espécie da conta bancária da empresa e entregava em mãos ao diretor financeiro da Secretaria de Saúde.

A reportagem questionou o MPMS sobre as dificuldades para se fazer acordo de colaboração premiada e aguarda resposta.

Operações contra corrupção

21 de janeiro de 2026 – Conluio

Investiga organização criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública, em especial fraudes a licitações e contratos públicos, mediante conluio entre os investigados para a entrega de contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com a prefeitura e a Câmara Municipal de Terenos.

21 de janeiro de 2026 – Simulado

Apura a existência de organização criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública, mediante fraude em contratos de publicidade e locação de equipamentos de som firmados com a Câmara Municipal de Terenos, desde 2021.

10 de fevereiro de 2026 – Cartas Marcadas

A reclamação cumpriu 76 ordens judiciais (46 buscas, 5 afastamentos de cargas, 22 proibições de contratação com o poder público e 3 suspensões de contratos). A investigação apura organização criminosa voltada ao direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos nos municípios de Corguinho e Rio Negro, com medidas também em Aquidauana, Campo Grande, Rochedo e Terenos.

12 de fevereiro – Lucro Certo

A investigação constatou a existência de contratos celebrados, sem licitação, entre o município de Coxim e empresa de advocacia nos anos de 2021, 2022 e 2023, que previam pagamentos a serem feitos em caso de vitória na recuperação de créditos de ICMS.

26 de fevereiro de 2026 – Camuflagem

Investigação sobre lavagem de dinheiro relacionada às fases anteriores da Operação Tromper, em Sidrolândia. Foram cumpridos 8 mandados de busca e apreensão e 5 mandados de prisão. Ação de ocultação de patrimônio e transferência financeira por meio de terceiros e empresas.

31 de março de 2026 – Mão Dupla

A operação cumpriu 23 mandados de busca e apreensão, 13 mandados de medidas cautelares diversas e 2 mandados de suspensão do exercício de função pública nas cidades de Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó.

23 de abril de 2026 – Oncojuris

O MPMS integrou experiência contra fraudes relacionadas a medicamentos oncológicos. A ação de transferência de mortes de pacientes em tratamento contra o câncer faz pente-fino em dez mil processos desde 2023 e aponta que a organização criminosa movimentou R$ 78 milhões.

12 de maio de 2026 – Buraco Sem Fim

Operação contra esquema de fraude em contratos de manutenção de vias públicas de Campo Grande. Foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão. A investigação aponta fraudes em contratos que somam mais de R$ 113 milhões, com apreensão de aproximadamente R$ 429 mil em dinheiro vivo

19 de maio de 2026 – Rota Desviada

Cumprimento de 14 mandatos de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. A investigação apura desvio de recursos públicos destinados ao transporte universitário por meio da Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul, envolvendo suspeitas de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.

7 de julho de 2026 – Gutenberg

A investigação aponta que a organização criminosa subornou servidores públicos para direcionar licitações e até condicionar vagas em hospitais. Foram 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

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