Moradores temem ficar sem água, perder alimentos e remédios após a retirada de contribuições e transformadores

A Energisa desligou, na manhã desta quinta-feira (23), as ligações irregulares de energia da comunidade Agrovila Campão, localizada às margens da BR-262, na saída para Sidrolândia, no Jardim Tarumã, em Campo Grande.
A Energisa desligou ligações irregulares de energia na comunidade Agrovila Campão, em Campo Grande, deixando mais de 200 famílias sem luz e água. A operação, realizada na manhã desta quinta-feira (23), foi segunda no local. Moradores relatam vulnerabilidade, com idosos, recém-nascidos e pessoas com doenças crônicas afetadas. A comunidade cobra regularização do serviço e afirma não ter recebimento de notificação prévia.
Durante a operação, que durou aproximadamente uma hora, as equipes retiraram os fios e um transformador instalado próximo à comunidade, usado pelos moradores para levar energia até as casas. Segundo os ocupantes, esta é a segunda vez que a concessionária realiza o desligamento no assentamento.
A comunidade afirma estar instalada na área há cerca de quatro anos e reunir mais de 200 famílias, entre crianças, idosos, pessoas com deficiência e recém-nascidos. A água consumida pelos moradores vem de poços e depende de bombas elétricas. Com o corte, além da falta de luz, as famílias também sobreviveram sem meios de retirar água.

Grupo de moradores acompanhava o trabalho. Equipe da Polícia Militar chegou no local para evitar tumultos, mas não houve registro de confusão nem bloqueio da rodovia durante a ação.
O líder da Agrovila Campão, Jonas Lima Vieira, de 41 anos, afirmou que os moradores regularmente reconhecem a irregularidade das instalações, mas cobram uma solução para poderem pagar pelo adequado.
“Da outra vez, eles vieram, arrancaram todas as histórias e levaram. É direito deles. Só que eles não deixam nada, chegam arrancando tudo”, disse.

Segundo Jonas, representantes da comunidade já procuraram vereadores, deputados e a prefeitura para tentar regularizar o serviço. Ele afirmou que uma reunião chegou a ser realizada e que os moradores receberam informações de que as instalações não seriam retiradas enquanto uma alternativa não fosse disponibilizada.
“Houve uma reunião em que disseram que não mexeriam com a gente. O secretário falou que ninguém mexeria com a gente e que era para ficarmos sossegados até regularizarem a questão da energia”, relatou.
O líder disse que a comunidade não se recusa a pagar as contas e defendeu a instalação de um padrão coletivo ou social. Conforme Jonas, a entrega exige endereço formal e regularização da área para realizar as ligações.

“Ninguém está se recusando a pagar pela energia. A gente só quer que eles coloquem um padrão social e forneçam energia para nós”, afirmou.
Jonas também relatou que os fios foram comprados por meio de contribuições dos próprios moradores. Ele alegou que a comunidade não recebeu notificação antes da retirada dos equipamentos.
“Nós já fizemos cota e contribuição entre mais de 200 famílias para conseguir puxar a energia. Aí eles simplesmente vêm aqui, não entregam nenhuma notificação para a gente e só chegam arrancando tudo”, declarou.
Entre os moradores acomodados está a venezuelana Greice Bravo, de 52 anos. Diabética, ela utiliza insulina, medicamentos que precisam ser interrompidos refrigerados.
Greice afirmou estar preocupada com a conservação dos medicamentos e dos alimentos. Ela também citou a presença de duas crianças recém-nascidas na comunidade, uma delas com quatro dias de vida.

“Além disso, preciso me medicar e fazer uma terapia que utiliza energia, porque sofro com problemas nos ossos. Eu fico preocupado com a comida e com os medicamentos”, relatou.
A moradora afirmou que os líderes tentaram regularizar o fornecido, mas que as promessas apresentadas até agora não resultaram em uma solução.
“O que as pessoas querem é que coloquem energia. Tem gente morando aqui. Aqui há idosos, pessoas com deficiência e pessoas com problemas renais”, disse.
Marcelo Ferreira, de 53 anos, destacou que o principal impacto imediato será a falta de água. Como as bombas dos poços dependem de eletricidade, os moradores não conseguem abastecer as casas após o desligamento.

“Sem energia, a gente não pode fazer nada, principalmente por causa da água. A água é uma das coisas de que mais precisamos, e eles chegam aqui e cortam tudo”, afirmou.
Marcelo disse que muitas famílias foram para a ocupação por não conseguirem mais pagar o aluguel e que o corte atingiu toda a comunidade.
“Nós temos água no poço, mas, sem energia, o que vamos fazer? Como vamos retirar essa água?”, questionou.
Após a saída das equipes, os moradores organizados reuniram-se ao ponto onde estavam os fios e o transformador. Eles afirmaram que ainda não sabem como vão restabelecer o acesso à água e conservar alimentos e medicamentos sem energia elétrica.
Ó Notícias Campo Grande Entrei em contato com a Energisa para solicitar informações sobre a operação realizada na comunidade e aguarda retorno da entrega.